domingo, 19 de agosto de 2007

a coisa eu.

Paralisada.
É assim que me sinto. Acoada, encolhida, sem conseguir esticar os braços e abrir as janelas pro sol entrar e amanhecer. Sem conseguir me espreguiçar para renovar a preguiça. Parece que até a minha preguiça está com preguiça de mim.
A agonia é enorme. Caraminholas caminham pela minha mente num fluxo alucinante. Chega a doer. Dói e queima. E não é só a cabeça não. Peito e coração ardem e pedem alguma coisa que não sei reconhecer. Só reconheço a dor. E dói por tantas coisas que eu não sei o nome. Por coisas que não sei o que são. Por coisas que não encontro uma palavra, música ou imagem correspondentes. Às vezes, num pequeno clarão que se abre dentro de mim, enxergo algumas coisas ... e tenho a impressão que carrego essas coisas que se transformaram em dor há anos, mas sempre achei que fossem irrelevantes. Pode ser um olhar não roubado, um beijo não dado, um abraço furado, um sorriso amarelo, uma palavra mal interpretada, uma frase não dita, um gesto vazio, um amor não dado, um amor devolvido, um doce rejeitado ... coisas que fui guardando a sete chaves, mas que não cabem mais nesse baú e de repente, elas tomaram meu corpo todo e já nem sei o que estou fazendo aqui. Com a impressão que tudo é desperdício.
Em meio a essas coisas todas, reconheço uma das coisas que me assustam: a coisa chamada TEMPO. Ele não espera, nem pede licença, passa e não volta. NÃO VOLTA. Parece que ele vai levando cronópios, famas e as esperanças. As esperanças, todas elas. Leva estórias, histórias, construções e, acho que ele também é capaz de destruir, mesmo sabendo que não é ele que destrói; sou eu que destruo. E destruo por medo. Medo de abrir os olhos, as janelas e os vestidos e voltar a sentir e ser tocada pela vida. Medo de me movimentar e cair. Em alguns momentos, tento dar alguns passos, mas eles são tão descompassados e, acabo recuando. Quando vejo, estou sentada novamente, com um compasso na mão, fazendo círculos, perdida, pensando em roda.

2 comentários:

isabela cordaro disse...

to sempre aqui, amorinha.
te amo e tenho falta de ti.

cinco bombas atômicas, em cima do seu cérebro disse...

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É, acho que por mais que sejamos sentimentos e tentemos manter e/ou procurar uma constância na interpretação e na adaptação nas nossas vidas, do algo chamado TEMPO, sempre vai ter um momento em que ele vai nos pregar uma peça assaz traiçoeria e nos dar ratoeiras armadas entre os muros que temos que pular e as pedras que tropeçaremos. Mas no fim, é assim. A nossa vida cíclica, do nascer ao morrer, faz com que sejamos sempre esse infinito "ida e vinda". E entre as coisas boas e ruins desse apendizado constante do viver, o equilíbrio sempre é buscado por quem ama mais. Aí, os momentos são necessários. O que sería de nós, momentos ótimos e felizes sem os momentos contrários da dita realidade racional, ou "tentativa" de absoluta?
As flores nascem, crescem, florescem, sorriem, murcham; mas aí nascem outras quando a terra ainda produz. E você, querida, é terra de amor e simplicidade tal que produz mais do que você simplesmente pensa. Sua tristeza é necessária, pra um momento mil vezes mais feliz a posteriori. E sempre é bom quando podemos saber que, pessoas de também têm muito amor querem sempre nos ver felizes, e apressam esse momento de tristeza, pra alegria reinar de novo. Eu vejo isso nos olhos Lia que não vejo.

;)

=o)

Beijo no coração, querida!

*=

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