Apesar do sol lá fora, resolvi tirar o dia para desfrutar a minha preguiça. Dia de sofá e pijama, sem o menor peso na consciência. Sentindo um alívio por estar dando ouvidos ao que meu corpo pedia há dias. De canal em canal. De cochilo em cochilo. Veio uma pergunta à minha cabeça: o que eu quero da minha vida? Nunca fiz planos, nem tracei metas. Mas de repente me vejo num grande vazio, sem saber o que fazer. E parece que quando estamos cheias de dúvidas, o sensor das outras pessoas as capta, e elas resolvem fazer perguntas chatas, que muitas vezes me fazem não sair de casa. Perguntas do tipo: 'e ai, já acabou a faculdade?', 'tá trabalhando onde?'. Ou elas resolvem contar histórias sobre conhecidos que fizeram a mesma faculdade que a sua e estão suuuper bem sucedidos. Ai, como fico nervosa, mas tenho que sorrir e dizer: 'que legal', quando no fundo, estou pensando: 'quem liga?'. Sei que elas não fazem por mal, mas em tempos de intolerância, sem querer ser redundante, eu não tolero! Tantas coisas à serem arrumadas na minha vida. Gavetas, caixas, armários. Talvez em pedacinhos do passado, eu ache algum vestígio. Ou não. Acho que preciso de uma crise de feng shui. Mas a bagunça mental é tão grande que, não consigo organizar nada, muito menos as caraminholas e os pensamentos. E acho que toda essa preguiça vem para continuar adiando o que tem que ser resolvido. Eu nunca tive pressa, mas tenho esperado demais um sei la o quê. Escrevendo essas palavras, percebo que essas respostas que procuro são mais para os outros do que pra mim, porque no momento, eu deixaria as coisas assim, por mais sem graça que a vida esteja, devido a falta de vontade para tudo tudinho. Menos pra ficar deitada e preservar a preguiça. Preguiça que, essa semana me disseram que em mim tem outro nome: tristeza. Vai saber, prefiro continuar chamando de preguiça, assim tenho uma coisa menos para pensar.