sexta-feira, 26 de outubro de 2007

estrutura da bolha de sabão.

'Mas e a estrutura? ‘A estrutura’, ele insistia. E seu gesto delgado de envolvimento e fuga parecia tocar mas guardava distância, cuidado, cuidadinho, ô! a paciência. A paixão.

No escuro eu sentia essa paixão contornando sutilíssima meu corpo. Estou me espiritualizando, eu disse e ele riu fazendo fremir os dedos-asas, a mão distendida imitando libélula na superfície da água mas sem se comprometer com o fundo, divagações à flor da pele, ô! amor de ritual sem sangue. Sem grito. Amor de transparências e membranas, condenado à ruptura.'

Lygia Fagundes Telles

4 comentários:

Gastando solidão.... disse...

Condenado a ruptura...
Qume dera que a vida fosse bolhas de saão soprados por sábios pensadores, ela seria tão efemera e bonita, ops achoq pra alguns a vida já é assim...

lia. disse...

quem derá fosse assim...
achei o trecho liiindo.

Gastando solidão.... disse...

Ah acbei de fazer a "corrente" e nao sou muito de acreditar tambem, mas a frase é marcante huhuahua
È de sampa? Obrigada pelo post

Sinto que sei que sou.... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.