sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ausência

Por muito tempo achei que ausência era falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Drummond.

4 comentários:

Emely disse...

=)

renata carneiro disse...

as vezes a gente fica mesmo cheio de ausências, né?

beijocas!

Ailma Cintia! disse...

"a ausência é um estar em mim".

Quanta perfeição!!!


Blog lindão!!!
Estou linkndo ele!!

Beeeeiijos!

Pipa disse...

Esses é um dos meus poemas preferidos de Drummond. Tem um conto lindo dele, que eu já sei cor de tanto ler, que se chama "Os olhos", do livro Caminhos de João Brandão. Comprei esse livro só por causa desse conto.Acho que vc ia gostar dele. Vou ver se acho ele pra mandar por email pra vc.
Ele termina assim: "Os olhos é que são a paisagem. E mudam".
Com o tempo os olhos mudam e a gente aprende a conviver com essas ausências.

beijo,
Pipa